Matemática do Coltec 2027: o que cai e como preparar
A prova do Coltec tem 10 questões de matemática com peso 2 e elimina quem zera. O que o edital cobra, e um plano para as semanas que faltam até 22 de novembro.
Por Taciane Andrade , licencianda em Matemática pela UFMG
Resposta direta: a prova do Coltec cobra a matemática do ensino fundamental inteiro em 10 questões, e elas têm peso 2 — o mesmo de português e o dobro de ciências, história e geografia. Quem tira zero em matemática está eliminado, independentemente do resto. A prova de 2027 é em 22 de novembro de 2026, e as inscrições vão até 8 de outubro. Quem começa a se preparar agora tem cerca de nove semanas, o que dá para um plano sério — desde que ele comece pelo diagnóstico e não pelo conteúdo do 9º ano.
Este texto é o que eu explico para as famílias que me procuram nessa situação: o que o edital cobra, como saber de onde o seu filho parte, e o que fazer com as semanas que sobraram.
O que a seleção do Coltec é, em números
O Colégio Técnico da UFMG seleciona para o ensino médio integrado ao técnico. Os números do processo seletivo de 2027, publicados no edital:
| Item | O que diz o edital |
|---|---|
| Vagas | 180, sendo 36 em cada um dos cinco cursos |
| Cursos | Eletrônica, Desenvolvimento de Sistemas, Automação Industrial, Análises Clínicas e Química |
| Quem pode | Quem concluiu o fundamental ou está matriculado no último ano dessa etapa |
| Reserva | 50% das vagas para quem cursou o fundamental integralmente em escola pública ou comunitária |
| Inscrições | 14 de setembro a 8 de outubro de 2026, até as 17h do último dia |
| Taxa | R$ 105, com boleto até 9 de outubro |
| Prova | 22 de novembro de 2026, um domingo, às 14h — portões fecham 13h30 |
| Duração | 3 horas |
E a estrutura da prova, que é a parte que muda o plano de estudo:
| Prova | Questões | Peso |
|---|---|---|
| Língua Portuguesa | 10 | 2 |
| Matemática | 10 | 2 |
| Ciências Naturais | 12 | 1 |
| História | 4 | 1 |
| Geografia | 4 | 1 |
Duas leituras saem daí. A primeira: matemática e português decidem a prova. Vinte questões com peso 2 valem 40 pontos de peso; as outras 20 questões valem 20. A segunda: zerar matemática elimina, e o mesmo vale para português. Não existe compensação.
Confirme sempre os números no edital do ano em coltec.ufmg.br antes de organizar qualquer coisa. Datas, pesos e quantidade de questões mudam entre edições, e este texto descreve a edição de 2027.
O que o programa de matemática cobra
O conteúdo programático de matemática do edital reúne: conjuntos numéricos, unidades de medida, razão e proporção, porcentagem, cálculo algébrico, equações, inequações, geometria plana, funções, estatística descritiva e raciocínio lógico.
Olhe essa lista de novo e repare no que ela não tem: nada de ensino médio, nada de conteúdo exótico, nada que não esteja no currículo de qualquer escola. É a matemática do fundamental, e é por isso que a prova não é vencida por quem viu mais conteúdo.
O que derruba aluno numa prova assim é a combinação. Dez questões para cobrir onze temas significa que quase toda questão junta dois: uma porcentagem que mora dentro de um gráfico, uma área que só sai depois de montar uma equação, uma proporção escondida num enunciado de três linhas. O aluno que treinou cada tema em sua própria lista, separadamente, encontra isso pela primeira vez no dia da prova.
E tem o efeito do peso 2 combinado com o tempo: 3 horas para 40 questões são 4 minutos e meio por questão, contando leitura. Numa prova de raciocínio lógico e interpretação, quem faz conta devagar perde por tempo, não por falta de conhecimento.
Por onde começar: as lacunas, não o 9º ano
Antes de qualquer cronograma eu faço 30 minutos de diagnóstico, que são gratuitos: oito a dez questões no estilo da prova, uma por tema. O resultado que interessa não é a nota — é quais lacunas dos anos anteriores estão presentes.
Isso não é detalhe de método, é o que decide o plano. Boa parte dos alunos que “vão mal em matemática” no 9º ano tropeçam em fração e proporção do 7º. Estudar geometria plana com essa base aberta é estudar em cima de areia: a questão de área vai cair, o aluno vai saber a fórmula, e vai errar na conta com fração que aparece no meio.
O diagnóstico responde a pergunta que muda tudo: dá para ir direto ao treino no formato da prova, ou é preciso fechar duas ou três portas antes?
Um plano para nove semanas
Este é o desenho que eu uso quando o aluno chega em setembro com base razoável. Se o diagnóstico encontrar lacunas em mais de três temas, ele muda: a base entra na frente e o treino cronometrado encolhe.
- Semanas 1 e 2 — aritmética que sustenta o resto. Frações, decimais, porcentagem, razão e proporção, sempre dentro de problema em texto. Não é revisão de 7º ano por nostalgia: é que esses quatro aparecem dentro das questões dos outros temas.
- Semanas 3 a 5 — álgebra e funções. Cálculo algébrico, equações e inequações do 1º e do 2º grau, sistemas, função afim. Sempre partindo do enunciado, nunca da equação já montada — montar é o que a prova cobra.
- Semanas 6 e 7 — geometria plana e leitura de dados. Área, perímetro, ângulos, semelhança, Pitágoras, mais estatística descritiva e gráficos. São os temas que mais produzem questão de combinação.
- Semanas 8 e 9 — provas anteriores, cronometradas. Uma por semana, no horário da prova real, corrigida junto. O erro que se repete entre duas simulações vira a aula seguinte.
Uma aula de 50 minutos por semana, com uma lista de 20 questões entre as aulas, dá conta desse plano. Duas por semana fazem sentido quando o diagnóstico mostra lacuna em mais de três temas, ou quando o aluno não estuda sozinho sem alguém marcando o ritmo.
A parte que quase todo mundo pula é a quarta. Resolver prova antiga com o relógio andando é o único treino que ensina a abandonar uma questão travada e voltar depois — e é isso, mais do que conteúdo, que separa quem termina a prova de quem deixa cinco questões em branco.
O que os pais podem fazer em casa
Três coisas, e nenhuma delas é ensinar matemática:
- Cobrar a lista feita. Feita, não acertada. A lista existe para produzir erro — é o erro que diz onde a aula seguinte começa.
- Garantir que a prova antiga seja resolvida com relógio, sentado, sem celular, no mesmo horário da prova real.
- Não comparar com o colega que “já passou”. A comparação não acrescenta informação nenhuma e tira a única coisa que o aluno precisa manter durante nove semanas, que é a disposição de tentar.
Vale dizer uma coisa impopular: entrar no Coltec sem base fechada não é um bom resultado. O curso técnico integrado é pesado, e o aluno que entra com lacuna de fundamental passa o 1º ano correndo atrás. A preparação é para entrar preparado, não só para entrar.
Perguntas frequentes
Meu filho está no 8º ano. É cedo para começar? Não para fechar a base — é o momento ideal para isso, porque sobra tempo. Um semestre de aula quinzenal no 8º ano deixa o 9º inteiro livre para o treino no formato da prova. O que não faz sentido é treinar prova antiga um ano e meio antes.
Nove semanas dão conta? Dão, se a base estiver razoável e o aluno fizer as listas. Se o diagnóstico mostrar lacunas em vários anos, nove semanas dão para uma preparação honesta, não para uma completa — e é melhor saber disso em setembro do que em novembro. É exatamente o que a aula diagnóstica gratuita serve para responder, antes de a família gastar qualquer coisa.
Presencial ou online funciona melhor para o Coltec? As duas, desde que a aula seja individual e tenha lista entre uma e outra. Em Belo Horizonte e nas cidades num raio de 20 km eu vou até a casa do aluno; fora disso, a aula é online ao vivo.
Quanto custa a preparação? A aula online de 50 minutos custa R$ 60. A presencial em BH sai a partir de R$ 70, com deslocamento incluso. Há pacote mensal com desconto para quem fecha a frequência semanal. A aula diagnóstica de 30 minutos é gratuita, e serve justamente para dizer de quantas aulas o seu caso precisa antes de você decidir.
Vale a pena tentar Coltec e CEFET-MG no mesmo ano? Vale, e é comum: as provas são em datas diferentes e o conteúdo se sobrepõe bastante, então a preparação é quase a mesma. As diferenças estão no formato e no peso de cada prova — e é isso que o plano de estudo precisa acomodar.
Se quiser conversar sobre o caso do seu filho, a aula diagnóstica gratuita é o caminho mais curto: 30 minutos, sem compromisso, e você sai sabendo de onde ele parte.