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Como estudar matemática sozinho: um método de 5 passos para usar em casa

Um método de estudo de matemática para fazer sozinho, com a ordem certa entre teoria, exercício e revisão, e os erros de método que fazem horas de estudo renderem pouco.

Por Taciane Andrade , licencianda em Matemática pela UFMG

Existe uma queixa que eu ouço quase toda semana, de aluno e de família: “ele estuda e não adianta”. Na maior parte das vezes é verdade que ele estuda. O que não está acontecendo é aprender, e a diferença está no método.

Matemática pune alguns hábitos de estudo que funcionam bem em outras matérias. Ler, grifar, resumir e reler são razoáveis para história e quase inúteis aqui.

O erro central: confundir reconhecer com conseguir

Quando você acompanha uma resolução pronta, cada passo faz sentido. Essa sensação é real e é enganosa: ela mede reconhecimento, não capacidade de produzir.

A prova não pede para reconhecer. Pede para produzir, com a folha em branco.

Todo o método abaixo existe para corrigir essa confusão.

Passo 1: entenda um exemplo até o fim, com a caneta na mão

Pegue um exemplo resolvido e acompanhe escrevendo junto, não lendo. Em cada linha, pergunte de onde veio o que apareceu.

Se numa linha você não souber responder, para. Essa linha é o ponto exato onde o seu entendimento acaba, e continuar a partir dali é perder tempo. Quase todo mundo passa por cima dessa linha e segue lendo, porque o resto do exemplo continua parecendo compreensível.

Um exemplo entendido de verdade vale mais que dez lidos.

Passo 2: refaça o mesmo exemplo com o caderno fechado

Sem olhar. Do zero. Agora.

É desconfortável, e é o passo que mais separa quem aprende de quem só estuda. Você vai travar em algum lugar, e o lugar onde você trava é a informação mais valiosa da sessão inteira: é o que você achava que sabia e não sabia.

Travou, abre, vê só a linha que faltava, fecha e recomeça do zero. Repita até sair inteiro sem consulta.

Passo 3: resolva um exercício parecido, mas não igual

Mesmo tipo, números diferentes, ou o enunciado pedindo outra coisa.

Aqui se testa se você aprendeu o raciocínio ou decorou a sequência. É comum acertar o passo 2 e travar no 3, e isso não é fracasso, é o método funcionando: ele detectou que o que existia era memória do procedimento.

Passo 4: corrija no mesmo dia, e escreva por que errou

Exercício feito e não corrigido é pior que exercício não feito, porque fixa o erro.

Ao corrigir, não escreva só “errei”. Escreva o motivo, numa palavra:

  • não sabia o conteúdo
  • errei sinal
  • errei conta
  • li errado o enunciado
  • fiz de cabeça o que devia escrever
  • não conferi

Junte isso numa folha só, ao longo de duas semanas. O padrão aparece sozinho, e quase sempre um motivo responde por metade dos erros. Os quatro últimos da lista se consertam com método, e conserto de método é rápido.

Passo 5: volte depois de dois dias

O que se resolve hoje e nunca mais se toca é esquecido em uma semana. O que se retoma depois de dois dias, depois de uma semana, e depois de duas, fica.

Não precisa de aplicativo nem de planilha. Basta refazer, de memória, um exercício de dois dias atrás antes de começar o estudo novo. Custa cinco minutos e é o que separa saber na semana da aula de saber na semana da prova.

Quanto tempo por sessão

Menos do que se imagina, e mais vezes.

Quatro sessões de 40 minutos ao longo da semana rendem bastante mais que uma de três horas no domingo, e a diferença não é pequena. Matemática precisa de intervalo entre as sessões para consolidar, e sessão longa passa a maior parte do tempo com atenção baixa.

Uma sessão de 40 minutos bem distribuída:

MinutosO quê
5refazer um exercício de dois dias atrás
10um exemplo novo, com caneta na mão, até entender de fato
20resolver sozinho, caderno fechado
5corrigir e anotar o motivo de cada erro

Cinco hábitos que parecem estudo e não são

Passar a limpo. Consome horas, dá sensação de produtividade, ensina quase nada.

Grifar o livro. Grifar é uma decisão sobre o que é importante, não um ato de aprendizagem.

Assistir vídeo-aula sem papel. Vídeo é excelente no passo 1 e inútil se substituir os passos 2 e 3. A regra: pausar, tentar, e só depois ver a resolução.

Fazer lista olhando o exemplo ao lado. Isso é copiar com números trocados.

Estudar com o celular por perto. Cada interrupção custa vários minutos para recuperar o fio de um raciocínio longo, e matemática é feita de raciocínio longo.

Quando o método não é o problema

Se você aplicar os cinco passos por três semanas e continuar travando no mesmo ponto, o problema provavelmente não é de estudo, é de base. Não adianta melhorar o método para aprender função se a lacuna está em operação com fração, porque o esforço todo vai para reconstruir a fração e não sobra atenção para a função.

Os testes rápidos para descobrir isso estão em as seis lacunas do fundamental que travam o aluno no médio.

E se o padrão de erro se repetir sem que você consiga nomear a causa, é exatamente aí que outra pessoa olhando ajuda. Minha aula diagnóstica é gratuita, dura 30 minutos, e serve para isso: encontrar o padrão. Atendo online para todo o Brasil e presencialmente em Belo Horizonte e região.

#estudo#método#ensino médio

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Dou aulas particulares de matemática para ensino fundamental, médio e para as matérias de exatas do ciclo básico da faculdade: online para todo o Brasil, ou presenciais em Belo Horizonte e região. A primeira conversa é uma aula diagnóstica gratuita.

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