8 sinais de que o aluno precisa de reforço de matemática
Como distinguir dificuldade passageira de lacuna acumulada em matemática, com os sinais que aparecem no caderno e na conversa antes de aparecerem no boletim.
Por Taciane Andrade , licencianda em Matemática pela UFMG
Nota baixa em matemática é um sinal ruim, no sentido técnico: chega tarde e diz pouco. Quando o boletim mostra o problema, ele já está instalado há meses.
Os sinais abaixo aparecem antes. Alguns deles com um bimestre de antecedência.
1. Ele resolve certo com você do lado e erra sozinho
Este é o sinal mais confundido com preguiça, e é quase sempre o contrário. Com alguém por perto, o aluno recebe pequenas confirmações a cada passo, um olhar, um “isso”, um silêncio aprovador. Sozinho, ele não tem como saber se o passo 2 está certo, e para no passo 2.
O que falta não é conhecimento, é critério de autoverificação. É ensinável, mas só se for identificado.
2. Ele acerta a conta e erra o problema
Sabe fazer a operação, não sabe qual operação usar. Quase sempre é interpretação de enunciado, não matemática.
Teste: leia o enunciado para ele e peça que reformule com as palavras dele antes de resolver. Se depois disso ele resolve, o gargalo é leitura.
3. O caderno tem resposta sem conta
Duas causas, ambas relevantes. Ou ele copia do quadro sem acompanhar o raciocínio, ou faz de cabeça o que deveria escrever. A segunda funciona enquanto os números são pequenos e desaba quando o conteúdo fica longo.
Aluno que não escreve a conta não tem onde encontrar o próprio erro. E quem não encontra o próprio erro não aprende com ele.
4. Ele hesita em conta básica
Peça 7 vezes 8, 13 menos 8, metade de 90, menos 3 mais 5. Se houver hesitação longa, a base está consumindo a atenção dele.
Este é o sinal com maior poder de previsão e o menos procurado, porque parece deselegante testar tabuada com aluno de ensino médio. É exatamente onde a lacuna costuma estar. Detalhei o mecanismo em as seis lacunas do fundamental que travam o aluno no médio.
5. A dificuldade começou num tópico específico e nunca mais passou
Fração no sexto ano. Sinais negativos no sétimo. Equação no oitavo. Função no primeiro ano do médio.
Esses quatro são portas: quem não atravessa fica do lado de fora de tudo que vem depois, porque o conteúdo seguinte assume que a porta foi atravessada. Se você consegue nomear o ano em que começou, você tem o ponto de partida da recuperação.
6. Ele diz que entendeu na aula e não consegue em casa
Entender uma explicação e conseguir reproduzir um raciocínio são habilidades diferentes. Acompanhar alguém resolvendo dá uma sensação legítima de compreensão que não sobrevive à folha em branco.
Não é mentira dele. É que a aula expositiva produz reconhecimento, e a prova exige produção.
7. Ele evita
Deixa matemática por último. Diz que não tem dever. Some na hora de estudar. Fica bravo quando o assunto aparece.
Evitação é proteção de autoestima, não desafio. Um aluno que errou muitas vezes seguidas aprendeu que tentar dói, e parar de tentar é a resposta racional a isso. Se você tratar como indisciplina, a evitação aumenta.
8. Ele fala de si em termos definitivos
“Eu sou ruim de matemática.” “Eu não tenho cabeça pra isso.” “Eu nunca vou entender.”
Quando a dificuldade vira identidade, ela deixa de ser um problema a resolver e passa a ser um fato sobre quem ele é. A partir daí, cada erro confirma a identidade e cada acerto é atribuído à sorte.
Este é o sinal mais grave da lista, e o mais reversível com uma sequência de acertos reais.
Três coisas que não são sinal
Uma prova ruim. Prova ruim acontece. Doença, noite mal dormida, prova mal formulada, dia ruim.
Não gostar de matemática. Gostar ajuda, mas muita gente aprende bem uma matéria de que não gosta. Desgosto sozinho não prevê dificuldade.
Ser mais lento que a turma. Velocidade e compreensão são coisas diferentes. Um aluno que entende devagar e fundo costuma ir melhor no ano seguinte que um rápido e superficial.
Quantos sinais justificam procurar ajuda
Não existe número mágico, mas existe um corte útil: se os sinais 4, 5 e 8 aparecerem juntos, a lacuna é antiga, tem localização conhecida e já virou identidade. Esse conjunto raramente se resolve sozinho e raramente se resolve com aula extra de véspera de prova.
Se o que aparece são os sinais 1, 2 e 6, o caso costuma ser de método de estudo, e algumas semanas de trabalho dirigido resolvem.
O que eu faço com isso
A aula diagnóstica gratuita de 30 minutos serve para checar esses oito sinais com o aluno resolvendo na minha frente, que é quando eles aparecem sem margem de dúvida. No final eu digo qual conjunto encontrei e o que eu faria.
Atendo online para todo o Brasil e presencialmente em Belo Horizonte e região. Como funciona o acompanhamento contínuo está em reforço escolar de matemática.